Conhecimento também protege patrimônio

Identifique o golpe. Saiba como agir.

Um guia direto para vítimas, consumidores e advogados compreenderem as fraudes bancárias, preservarem provas e adotarem as providências corretas.

“Em praticamente 100% dos casos de fraudes bancárias há uma falha bancária e, portanto, um defeito do serviço da instituição financeira.”
Prof. Leonardo Garcia
Foi vítima de uma fraude bancária? É possível buscar a devolução dos valores. Agir rapidamente e adotar as providências corretas pode aumentar as chances de recuperar o dinheiro.
Socorro imediato para a vítima

Caí em um golpe. E agora?

Quem acabou de sofrer uma fraude precisa agir rápido. O objetivo, neste primeiro momento, é conter o dano, comunicar o banco e preservar as provas. Depois vem a discussão sobre responsabilidade e ressarcimento.

🚨 Sofreu a fraude agora?
Não espere. Quanto antes o banco for comunicado, maiores podem ser as chances de bloqueio e recuperação dos valores.
Fiz um Pix → MED

1. Interrompa o golpe

Pare imediatamente qualquer contato, pagamento ou compartilhamento de dados.

  • Não faça novas transferências.
  • Não informe senhas, códigos ou tokens.
  • Bloqueie cartões, acessos e dispositivos comprometidos.
  • Se instalou aplicativo indicado pelo golpista, desconecte o aparelho da internet e procure suporte seguro.

2. Avise o banco imediatamente

Use somente os canais oficiais da instituição. Diga expressamente que você foi vítima de fraude.

  • Identifique as operações contestadas.
  • Peça bloqueio das movimentações ainda possíveis.
  • Solicite contestação das transações.
  • Guarde todos os números de protocolo.
Não faça uma reclamação genérica. Relate a fraude e identifique cada operação questionada.

3. Não apague nada: preserve as provas

Antes de bloquear o fraudador, registre o que puder. Essas informações podem ser decisivas para a apuração.

  • Prints das conversas e perfis.
  • Números de telefone, e-mails e links utilizados.
  • Comprovantes de Pix, TED, boletos e compras.
  • Dados da conta destinatária.
  • Extratos, horários e protocolos bancários.
  • Gravações ou áudios existentes.
Regra de ouro: antes de apagar ou bloquear, registre as provas.

4. Formalize o ocorrido

Organize um histórico simples do que aconteceu e registre a ocorrência.

  • Faça boletim de ocorrência.
  • Anote a sequência dos fatos e horários.
  • Salve documentos em mais de um local.
  • Se necessário, procure orientação jurídica.
O boletim de ocorrência é importante, mas não substitui a comunicação imediata ao banco.

5. Fiz um Pix: peça o MED

O MED é o Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Em situações de fraude, golpe ou crime, a vítima deve solicitar à sua instituição a abertura do procedimento.

  1. Entre no aplicativo ou canal oficial do seu banco.
  2. Localize a transação Pix contestada.
  3. Informe que foi vítima de fraude, golpe ou crime.
  4. Solicite expressamente a abertura do MED.
  5. Anexe ou apresente os elementos disponíveis.
  6. Guarde o protocolo e acompanhe o pedido.
O pedido pode ser apresentado em até 80 dias da data do Pix, mas o ideal é agir imediatamente.

6. Invadiram meu WhatsApp ou celular

Além do banco, proteja imediatamente suas contas digitais e seus contatos.

  • Recupere a conta pelos canais oficiais.
  • Encerre sessões e dispositivos desconhecidos.
  • Troque senhas importantes.
  • Ative autenticação em dois fatores.
  • Avise seus contatos para ignorarem pedidos de dinheiro.
  • Procure sua operadora se houver suspeita de troca indevida do chip.

7. Usaram meu cartão ou minha conta

O foco é impedir novas operações e identificar tudo o que não foi reconhecido.

  • Bloqueie o cartão ou acesso comprometido.
  • Conteste imediatamente as operações.
  • Peça novo cartão, quando necessário.
  • Altere senhas e revise dispositivos autorizados.
  • Confira o extrato completo: pode haver outras transações que passaram despercebidas.

8. Cuidado com o “segundo golpe”

Após uma fraude, criminosos podem voltar a abordar a vítima oferecendo uma suposta recuperação do dinheiro.

  • Desconfie de quem promete recuperação garantida.
  • Não pague taxa antecipada para “liberar” valores.
  • Confirme a identidade de advogados, policiais, bancos e empresas.
  • Não aceite contatos baseados apenas em informações sobre o golpe anterior.
Caiu em um golpe? O fraudador pode tentar explorar justamente o seu desespero para aplicar outro.
Onde reclamar?

Cada canal tem uma função

🏦 Banco

É o primeiro canal para contestar operações, pedir bloqueios e solicitar o MED quando cabível.

👮 Boletim de ocorrência

Formaliza os fatos perante a autoridade policial e ajuda a documentar a fraude.

🧭 Consumidor.gov.br / Procon / Banco Central

Podem ser utilizados para registrar reclamações e pressionar pela adequada análise do caso, conforme a situação.

Checklist rápido: 10 providências após a fraude

1Interrompa o contato com o golpista.
2Não faça novos pagamentos.
3Avise imediatamente o banco.
4Conteste as operações.
5Peça o MED se houve Pix e o caso for elegível.
6Bloqueie acessos, cartões e dispositivos.
7Preserve prints, comprovantes e protocolos.
8Troque senhas comprometidas.
9Registre boletim de ocorrência.
10Desconfie de quem cobrar para “recuperar” o dinheiro.
Prevenção

Como reduzir o risco de uma nova fraude

🔐 Proteja suas contas

Use senhas diferentes, autenticação em dois fatores e nunca compartilhe códigos de confirmação.

💸 Ajuste seus limites

Mantenha limites de Pix e transferências compatíveis com sua rotina e ative notificações de movimentação.

⏱ Desconfie da urgência

Golpistas pressionam a vítima para impedir que ela pense. Nenhum banco exige transferência para “conta segura”.

Reclamação formal

Faça também uma reclamação pelo Consumidor.gov.br

Além de comunicar imediatamente o banco pelos canais oficiais, a vítima pode registrar uma reclamação na plataforma Consumidor.gov.br. O registro ajuda a formalizar o problema, documentar a tentativa de solução e obter uma resposta da instituição financeira.

Como fazer

  • Acesse www.consumidor.gov.br.
  • Entre com sua conta gov.br. Para evitar impedimentos de acesso, tenha a conta no nível Ouro.
  • Localize a instituição financeira envolvida.
  • Descreva de forma objetiva como o golpe ocorreu, a data, os valores e as operações contestadas.
  • Informe os protocolos de atendimento já realizados junto ao banco.
  • Anexe comprovantes, prints e demais documentos importantes.
  • Peça expressamente o bloqueio, a contestação e o ressarcimento dos valores, conforme o caso.

O que não pode faltar na reclamação

  • Data e horário aproximado da fraude.
  • Valor total do prejuízo.
  • Identificação das transferências, Pix, compras ou empréstimos questionados.
  • Como o fraudador entrou em contato com você.
  • Providências já solicitadas ao banco.
  • Números de protocolo.
  • Pedido claro do que você pretende que a instituição faça.

Importante: salve o número da reclamação e a resposta do banco. Esses documentos podem ser úteis posteriormente.

⚠ Consumidor.gov.br não substitui a comunicação imediata ao banco.
Se a fraude acabou de acontecer, primeiro avise a instituição financeira e, no caso de Pix, solicite imediatamente a análise pelo MED quando cabível. Depois, formalize também a reclamação na plataforma.
Fazer reclamação →
Plano de resposta

Os primeiros passos após a fraude

Velocidade, prova e protocolo. É o trio que muda o jogo.

1

Interrompa

Bloqueie cartões, contas, dispositivos e acessos comprometidos.

2

Comunique

Acione os canais oficiais e peça contestação, bloqueio e MED, quando aplicável.

3

Documente

Preserve extratos, protocolos, conversas, links, números e horários.

4

Formalize

Registre a ocorrência e procure orientação jurídica para o caso concreto.

Base jurídica

Responsabilidade não é automática — nem impossível

Inscrições abertas • Formação jurídica especializada

Fraudes bancárias cresceram. Sua atuação também precisa evoluir.

Prepare-se para identificar as falhas das instituições financeiras, construir a prova e atuar com segurança nas ações de fraudes bancárias — da análise do golpe à petição inicial.

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Professor Leonardo Garcia
Professor Leonardo GarciaEspecialista em Direito Bancário e fraudes bancárias